O início
Era agosto de 2021.
O mundo ainda tentava reaprender a viver depois de uma pandemia. Foi nesse momento que recebi o convite para conhecer uma família que tinha um projeto muito especial: construir, dentro de casa, uma pista de skate para o filho, Luca, então com apenas 9 anos e começando a descobrir o skate.
A ideia inicial era relativamente simples: um Bowl particular, um pouco maior e mais desafiador do que aqueles onde ele vinha treinando. Uma pista que pudesse acompanhar seu crescimento e, ao mesmo tempo, estimular sua evolução no esporte.
Mas o terreno tinha seus próprios desafios.

Era um espaço com um desnível bastante acentuado e algumas árvores que precisavam ser preservadas e incorporadas ao projeto. A partir daí, começaram as conversas: como aproveitar aquele terreno? Qual deveria ser o tamanho da pista? Qual nível de dificuldade seria adequado? Até onde levar o investimento?
Foram muitas reuniões presenciais, conversas e encontros por vídeo ao longo de várias semanas, buscando aquele ponto de equilíbrio entre o terreno disponível, o nível de skate que se pretendia alcançar e os sonhos daquela família.
Até que, em dezembro de 2021, começamos a primeira fase da obra.

O primeiro Paradise
Chegamos a um Bowl com três profundidades: 1,20 m, 1,60 m e 2,00 m.
As três áreas eram interligadas por um pudim, enquanto um Drop-in com Round Lip permitia que os skatistas menos experientes também tivessem uma porta de entrada para a pista.
A parte mais funda tinha duas seções retas contrapostas, criando uma espécie de simulação de Half, e recebeu Coping Block em toda parte mais alta.

Se tornou uma pista de dificuldade considerável para os padrões da época e, mesmo sendo construída para uma criança que ainda estava começando, já apontava para um futuro mais ambicioso.
A pista estava pronta para crescer junto com ele.
Os primeiros rolês
Por ser uma pista particular, era natural que o acesso fosse bastante restrito.
Mas, aos poucos, fomos levando alguns amigos para conhecer o lugar. E havia algo diferente ali.

Eles não eram apenas recebidos. Eram acolhidos.
A família rapidamente desenvolveu uma relação muito especial com o skate. O que inicialmente seria apenas a pista de um garoto foi começando a se transformar em um espaço de convivência.
Skatistas chegavam, novas amizades surgiam, as sessões ficavam mais frequentes.
E, em algum momento, aquele lugar ganhou um nome que parecia ter sido feito sob medida:
Paradise.
Uma pista de alto nível, cercada pela natureza, dentro de um ambiente extremamente acolhedor e cheio de boas energias.
Paradise.
O nome caiu como uma luva.
Com o tempo, a família também foi crescendo. Novos amigos foram chegando, novos rostos aparecendo nas sessões e alguns rolês se transformando em memórias que ficaram para sempre.
As postagens que fazia no Instagram, por sua vez, mostravam apenas pequenos fragmentos daquele lugar. Poucos detalhes sobre onde ficava, imagens cuidadosamente escolhidas, sessões entre amigos.
E isso acabou criando uma atmosfera quase misteriosa.
Para quem estava de fora, o Paradise começou a ganhar contornos de lenda.
Uma pista dos sonhos escondida em algum lugar da Bahia.
Quando o Paradise ficou mais inclusivo
Em abril de 2022, uma nova transformação começou.
O pai e a mãe de Luca também começaram a andar de skate. E, com isso, surgiu uma nova necessidade: uma área mais acessível para quem estava dando os primeiros passos.
Começamos então a primeira ampliação.
Nascia o Baby Bowl, uma área com transições mais suaves e alturas de até aproximadamente 70 centímetros.

A mudança parecia simples, mas teve um impacto enorme.
O Paradise agora tinha uma área onde iniciantes poderiam aprender, errar, tentar novamente e evoluir.
A pista, que havia sido criada pensando no desenvolvimento de um garoto, começava a se tornar também um espaço para o desenvolvimento de muitas outras pessoas.
O Paradise ficava mais inclusivo.
E aquela área didática se tornaria fundamental para a evolução do skate dentro da própria pista.
A Família Paradise
Entre o início de 2022 e o final de 2025, foram incontáveis sessões.
Cada vez mais pessoas conheciam o lugar. Algumas passavam apenas para um rolê. Outras voltavam. Algumas voltavam tantas vezes que acabavam fazendo parte da casa.
Assim nasceu o que passamos a chamar de Família Paradise.
Muito skate.
Muitas sessões.
Muitas histórias.
E, claro, alguns ChurraSkate memoráveis.
Tudo isso acontecia paralelamente ao crescimento de Luca.
Aquele garoto que, em 2022, comemorava seus primeiros grinds já não era mais o mesmo.

O skate evoluiu.
O skatista evoluiu.
E chegou um momento em que a pista que tinha sido pensada para acompanhar seu crescimento já começava a ficar pequena para o nível que ele havia alcançado.
Era hora de pensar novamente no futuro.

Um novo Paradise
As primeiras ideias para a nova transformação envolviam ampliar o Bowl e conectá-lo ao BabyBowl.
A proposta era aprofundar essa área, elevar a parte mais funda de 2,00 m para 2,40 m e transformar toda essa região para Coping Block.

Mas, como acontece com os bons projetos, as ideias foram se adequando a realidade.
Um novo pudim entrou no desenho, a geometria foi sendo ajustada, novas possibilidades apareceram.
Até chegarmos ao formato definitivo, que incorporou também uma 45 e um Love Seat, além de todas as melhorias realizadas no entorno.

O resultado foi muito além de simplesmente aumentar uma pista.
O Paradise ganhou uma nova dimensão.
Aquele Bowl criado em 2022 para acompanhar os primeiros passos de um garoto se transformou em um verdadeiro complexo de transição.
Um espaço construído ao longo do tempo, moldado pelas necessidades de quem o frequentava e, principalmente, pela paixão daquela família pelo skate.
O Paradise se tornou, de fato, um dos grandes paraísos do skate de transição na Bahia.
Muito além de uma pista
Talvez a parte mais especial dessa história seja que o Paradise nunca foi apenas sobre concreto.
É sobre pessoas.
Sobre acolhimento.
Sobre amizade.
Sobre criar um ambiente em que diferentes gerações podem andar juntas.
Sobre uma família que abriu as portas de sua casa e, pouco a pouco, acabou construindo uma família muito maior por meio do skate.
E, mesmo sendo uma SkateHouse sem fins lucrativos, o Paradise acabou apoiando e fortalecendo uma verdadeira rede de skatistas.

Isso talvez seja o que mais valoriza a boa sensação de fazer parte da Família Paradise.
Porque existem pistas boas.
Existem pistas incríveis.
Mas existem também lugares que conseguem criar algo que vai muito além da pista.
O Paradise é um desses lugares.
Obrigado, Família Paradise
Sou profundamente grato por essa história.
Tudo começou com a ideia de uma família muito especial e apaixonada por seu filho: construir uma pista em casa para favorecer o crescimento dele no esporte.
Mas aquele projeto acabou me proporcionando algo que eu jamais poderia imaginar naquele primeiro encontro, em agosto de 2021.
Conheci pessoas fantásticas.
Construí amizades.
Vi uma família crescer.
Vi um garoto crescer.
Vi uma pista se transformar.
E, principalmente, pude acompanhar de perto os frutos que toda essa história acabou gerando para o skate baiano.
Hoje, olhando para trás, fica claro que o Paradise nunca foi apenas uma pista construída para um menino.
Foi uma semente.
Uma semente que cresceu, ganhou amigos, ganhou histórias, ganhou sessões, ganhou churrascos, ganhou novos skatistas e, acima de tudo, ganhou uma família.
Uma família que tenho muito orgulho de fazer parte.
Uma semente que germina e cresce, dando bons frutos, não deve ser contida, e sim regada e adubada. Aguarde e confie, que coisa boa ainda vem por aí.
Obrigado, Família Paradise.




























